Tempo de ameaças

contaoutra

  As nuvens escuras pairavam calmamente sobre a cidade como se aguardassem o momento exato do ataque; como se estivessem observando todos aqueles reles mortais e suas incapacidades. A brisa suave e fria que acompanhava a sombra do céu nublado, passava por entre os transeuntes, semelhante a um sopro, um sussurro alertando sobre a ira das densas nuvens.


  As folhagens, que não eram bestas, começaram a se espantar. Pequeninas folhas fugiam desesperadamente correndo pelo solo seco, escondendo-se em cantos, lacunas, buracos, numa consistente barulheira. Ao ouvir o sussurro ainda mais alto e ver o desespero daquelas folhagens, alguns dos humanos temeram pelo futuro próximo.
Agitaram-se. Caminharam em passos largos na busca de um abrigo, uma proteção. Outros, mais experientes e arrogantes, permaneciam no traçado de seu caminho não se importando com o sopro gelado daquilo que os amedrontados já chamavam de tempestade.
O conjunto nebuloso ganhava tons avermelhados e movimentos confusos. O sussurro evoluiu para um zumbido inconstante ao surgir um aroma de umidade junto aos brilhos reluzentes que se assemelhavam a milhares de facas afiadas prontas para o golpe de misericórdia.


Entretanto, vejam só! Toda aquela concentração de fúria não passava de uma senhora cumolonimbus que, ao presenciar toda aquela insanidade aos seus pés, compadeceu-se e calmamente chorou.

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