Tecnofobia

Tecnofobia
  Era o final dos anos 90. As derradeiras máquinas de datilografia finalizavam seus últimos escritos oficiais brasileiros. Rapidamente o barulho da existência de letras sendo gravadas sobre a folha de papel por uma engenhoca mecanizada esmaeceu. O silêncio digital se apoderava dos lares e de grandes centros empresariais. O elemento que determinava uma profissão foi destituído de sua função pelo benefício e status proporcionado pela tecnologia eletrônica. O micro-computador aliado a impressora ganhava a preferência de todos. Fico curioso em saber qual foi a última palavra impressa em mídias oficiais utilizando os tipos metálicos de tal máquina. Certamente foi ladeada por um ponto final. (Estando no Brasil, é possível que em algum setor público, uma máquina de datilografia ainda esteja em atividade.)

  Hoje; a nova geração, os bebês empreendedores, os nerds globalizados, reconhecem a máquina datilográfica apenas como uma antiguidade da comunicação. Empoeirada dentro daquele armário do vovô ou em alguns escritórios vintages, ela se mantêm como testemunhas da evolução.
  Bom. Sei que ao escrever sobre esse equipamento arcaico, também poderia mencionar o telegrama, o papel carbono, mimeógrafo, tela de tubo, toca-discos, walkman, enfim… mas não é essa a mensagem que pretendo colocar em pauta.
  No início do mês de junho, motoristas que trabalham com o aplicativo Uber, que auxilia no transporte executivo de pessoas, relataram que estão sofrendo violentas ameaças de integrantes de uma classe profissional que se julga prejudicada pelo serviço; os taxistas. O aplicativo móvel que começou a operar no começo do ano no Brasil em capitais como, Rio de Janeiro e São Paulo é considerado um serviço irregular pelo governo. A Prefeitura de São Paulo, alega que o Uber viola a Lei 12.468/2011, que reserva aos taxistas o direito de explorar o serviço de transporte individual remunerado. Agora, o Departamento de Transporte de Passageiros (DTP), vinculado à Secretaria Municipal de Transportes, analisa a possibilidade de tirar o aplicativo do ar.
Entendo que os grandes centros, já há algum tempo, estão sendo modernizados para essa nova era, classificada por alguns teóricos como era pós-digital. Seria natural absorver tais mudanças com o desapego a práticas que, nesse ambiente, tornam-se obsoletas e errôneas. Com o Uber em mãos, é possível chamar o motorista mais próximo, calcular o tempo de chegada, dirigir-se ao destino com o conforto igual ou melhor de um táxi e ainda contribuir para o meio ambiente com menos barulho e monóxido de carbono no ar das metrópoles e – numa prática massiva- reduzir o volume do trânsito, considerado péssimo pelos motoristas.
  Os taxistas e suas cooperativas, tem todo o direito de reivindicar seus direitos como profissionais, mas jamais podem impedir que a inovação e o bem-estar de um todo sejam afetados por interesses próprios. Basta buscar alternativas; se reorganizar, oferecer mais conforto e segurança, gerar uma tecnologia a favor da classe, assim como os já conhecidos aplicativos Easy Taxi, 99Taxis e acima de tudo, permitir a livre concorrência.
  Esse parece ser um dos primeiros confrontos em solo brasileiro entre a “realidade virtual” e o mundo real. E olha que é só o início. A inteligência artificial já está presente em centros científicos, departamentos de comunicações e nas práticas militares. O futuro não bate mais à porta. Ele já entrou, está na sala sentado na sua poltrona com um bom café assistindo o seu filme predileto.
   A máquina datilográfica tornou-se obsoleta, mas foi com ela que aprendi a digitar.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s